sexta-feira, 10 julho , 2026

Agro deve enfrentar ano difícil em 2026, aponta CNA

O agronegócio foi determinante para o desempenho positivo da economia brasileira em 2025, mas deve enfrentar um ano de maiores dificuldades em 2026. A avaliação é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que divulgou nesta terça-feira (9) o balanço anual do setor e as projeções para o próximo ano.

Crescimento forte em 2025, mas previsão modesta para 2026

Segundo a entidade, a inflação deve encerrar 2025 em 4,4%, influenciada pela queda nos preços dos alimentos. A CNA estima que o PIB do agronegócio terminou o ano com alta de 9,6%, alcançando R$ 3,13 trilhões.

Para 2026, porém, o ritmo deve ser mais fraco, com projeção de avanço de apenas 1%.

A CNA aponta que o cenário fiscal será um dos fatores centrais para a desaceleração. Com a taxa Selic mantida em 15% e risco de descumprimento das metas fiscais, a expectativa é de maior esforço de arrecadação por parte do governo, o que pode manter a economia em ritmo moderado.

Inadimplência no crédito rural bate recorde

A confederação chama atenção para o aumento expressivo da inadimplência no campo. Em outubro, o índice do crédito rural com taxas de mercado chegou a 11,4%, maior nível desde 2011. Em 2023, o indicador era de 0,59%; em 2024, saltou para 3,54%.

O movimento é atribuído a fatores combinados: problemas climáticos, custos elevados de produção, queda no preço das commodities, juros altos, retração bancária e baixa oferta de instrumentos de gestão de risco.

A ausência de apoio ao seguro rural em 2025 resultou no pior desempenho do Programa de Subvenção ao Prêmio (PSR) desde 2007, cobrindo menos de 5% da área agricultável brasileira.

Produção agrícola cresce, mas alguns setores recuam

A Conab estima que a safra 2025/26 alcance 354,8 milhões de toneladas, alta de 0,8%.
• Soja: 177,6 milhões de toneladas (+3,6%)
• Milho (2ª safra): queda de 2,5%
• Arroz: 11,3 milhões de toneladas (-11,5%)

Para o Valor Bruto da Produção (VBP), a projeção é de R$ 1,57 trilhão em 2026, avanço de 5,1%. A agricultura deve puxar o resultado, com crescimento de 6,6%.

Pecuária pode sentir impacto do abate de fêmeas

Após forte abate de fêmeas ao longo de 2025 — que chegou a 49,9% do total —, a CNA projeta queda de 4,5% na oferta de carne bovina em 2026. A redução de animais disponíveis tende a pressionar preços da arroba.

Tensões comerciais ampliam incertezas

O ambiente externo também deve desafiar o setor em 2026. A CNA destaca três áreas de preocupação:

• EUA: tarifas adicionais de 40% podem gerar perdas de até US$ 2,7 bilhões. As exportações para o mercado norte-americano caíram 37,8% entre agosto e novembro de 2025.

• União Europeia: o avanço do capítulo comercial do acordo Mercosul–UE é acompanhado de riscos de salvaguardas contra produtos agrícolas do bloco sul-americano. A Lei Antidesmatamento Europeia (EUDR) entrará em vigor em dezembro de 2026 para grandes operadores.

• China: investigações sobre carne bovina podem resultar em salvaguardas, enquanto eventuais compromissos comerciais com os EUA podem reduzir a demanda por soja brasileira. O 15º Plano Quinquenal do país prevê ainda redução de dependência externa para itens estratégicos.

Setor inicia 2026 pressionado

A CNA afirma que o próximo ano será marcado pela necessidade de reconstrução da capacidade financeira do produtor. Para que a resiliência observada em 2025 se repita, a entidade defende avanços em crédito rural, seguro agrícola e estabilidade regulatória.

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